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Criação de peixes em viveiros e gaiolas

Viveiros são reservatórios de água, feitos em terreno natural e provenientes de escavações em solos impermeáveis ou de barragens de terra em leitos de rios, riachos ou córregos.

Os viveiros escavados são dotados  de abastecimento artificial (canal ou tubulação) e de sistema de drenagem construído pelo homem (sangradouro, escoadouro, cotovelo, monge e dreno).

Na construção dos viveiros, deve-se levar em conta dois fatores importantes: a topografia do terreno e a textura do solo.

A topografia local definirá a forma e a quantidade de viveiros, em função do movimento de terra exigido e, quanto à textura, devem-se dar preferência aos solos de baixa permeabilidade.

Deve-se fazer a caracterização física e química do solo de cada viveiro. Para tanto, coletam-se amostras do solo de cada viveiro, nas profundidades de 0-50 cm e de 50 – 100 cm, enviando-as ao laboratório para caracterização físico-química. Devem-se fazer, também, os testes de infiltração “in loco” (no local), para maior segurança do projeto.

O cachimbo de PVC serve para o esvaziamento e a sangria dos viveiros pequenos.

O monge serve para a sangria e o esvaziamento dos viveiros médios e grandes.

Construção do viveiro de piscicultura

Viveiros de barragem (interceptação)

Os viveiros de barragem, ideais para a piscicultura semi-intensiva, são construídos ao longo do leito dos rios, riachos e córregos da propriedade. Não apresentam forma geométrica definida, são de profundidade variável (1 a 4 metros) e não oferecem condições para o controle total da água e dos peixes em criação.

Viveiros de barragem (sistema semi-intensivo)

Viveiros de escavação

Este tipo de viveiro é cavado em solo de textura impermeável. A escavação pode ser total ou apenas parcial, aproveitando-se a terra retirada do buraco para a construção dos taludes (muros ou paredes do viveiro).

Viveiro escavado abastecido através de canal

Os viveiros escavados devem apresentar a forma de um retângulo. Os destinados à engorda dos peixes têm área de 1.000 a 4.000 m².

A profundidade varia em função da espécie e da finalidade do viveiro, como pode ser visto na tabela a seguir.

A carpa chinesa e o tambaqui não têm desova natural em viveiro. Para que os tambaquis criados em viveiros tenham uma alimentação mais rica em proteínas é necessário que consumam zooplâncton ou ração balanceada.

Os viveiros escavados podem ser também abastecidos por cata-vento.

Viveiro escavado com abastecimento por cata-vento

Declividade do viveiro

A declividade deve ser de 0,1 a 0,3%, no sentido da entrada para a saída d’água do viveiro. Isto significa que para cada 100 metros no piso do viveiro deve haver uma declividade em torno de 30 centímetros.

Inclinação dos taludes: varia em função do solo ou do material utilizado na construção, conforme quadro a seguir.

Canais de abastecimento e de drenagem: Os canais podem ser de alvenaria, de concreto ou de terra, sendo que os de abastecimento devem estar, no mínimo, a 10 cm acima do nível dos viveiros e os drenos, no mínimo, a 20 cm abaixo do piso dos viveiros. Quanto à declividade, pode variar de 0,1 a 0,5%.

Vazão dos canais de abastecimento

A vazão deve ser dimensionada para cumprir os prazos pré-estabelecidos, mostrados na tabela a seguir, para encher os viveiros.

A caixa de coleta, que é interna, é feita de alvenaria e fica localizada junto à saída d’água do viveiro. Sugere-se a construção de uma caixa de coleta de 40 m2 por cada hectare de viveiro.

O tempo de drenagem total de um viveiro varia em função da sua finalidade específica. O viveiro de alevinagem não deve demorar mais de 12 horas para ser esvaziado totalmente e, o de engorda, não deve ultrapassar os 2 dias.

Para um viveiro pequeno, menor do que 2.000 m2, o diâmetro da tubulação de saída da água deve medir 25 cm e se o viveiro tiver área de 0,5 a 1 hectare, esse diâmetro deve ser de 40 cm.

Conhecendo-se o volume da água do viveiro ou tanque, o número de horas demandadas para esvaziá-lo e a altura da coluna d’água, pode-se determinar o diâmetro da tubulação da saída d’água. De forma idêntica, os engenheiros calculam o diâmetro da tubulação da entrada d’água do viveiro de criação de peixes.

Tempo de cultivo

Dependendo da espécie e do sistema utilizado, o tempo de cultivo varia de 4 a 12 meses. A tilápia do Nilo e a tilápia vermelha atingem peso de mercado dos 4 aos 6 meses e o tambaqui requer 10 a 12 meses.

Desinfecção dos viveiros

A desinfecção dos viveiros é feita procedendo-se a calagem ou uso da cal. Além da desinfecção ou controle dos parasitas, esta prática sanitária, utilizando a cal, corrige a acidez da água e do solo e elimina os predadores que se enterram na lama, como a traíra.

Na maioria dos estados, a cal, conhecida pelas denominações de cal extinta, cal comum e, principalmente, cal de construção, é encontrada, com facilidade, em todos os municípios.

No início de cada cultivo, é indispensável o uso desta prática em cada viveiro, na proporção de 500 kg de cal/ha, distribuída a lanço, uniformemente, sobre todo o leito do viveiro.

Peixamento dos viveiros

Devem-se povoar os viveiros com alevinos de tamanho homogêneo, medindo, no mínimo, 5 cm de comprimento. A quantidade de peixes por hectare depende do sistema de cultivo e da espécie escolhida pelo produtor.

Alimentação dos peixes em viveiros

Na piscicultura intensiva, para se obter os resultados esperados, a ração balanceada utilizada deve conter 28 a 35% de proteína bruta, devendo-se fornecer, diariamente, 3% do peso dos peixes estocados, na engorda.

Aeração dos viveiros

Há vários tipos de aeradores e diferentes formas de melhorar a aeração de um viveiro. O aerador deve funcionar no período do dia, de 0h às 6h, em que se sabe que ocorre queda brusca de oxigênio.

Os aeradores comercializados têm potência de 1 a 2 HP. O viveiro de até 2.000 m2 requer um aerador de 1 HP; para os viveiros maiores, pode-se utilizar um aerador de 2 HP.

Gaiolas

As gaiolas para criação de peixes são estruturas flutuantes, delimitadas por telas ou redes com a finalidade de prender os peixes, cuja fixação nos açudes é feita por uma estrutura composto de tambores, corda de náilon e âncoras.

Partes das gaiolas

A gaiola é composta de um suporte ou base, uma tela ou rede, flutuadores e âncoras.

Suporte ou Base: é responsável pela forma da gaiola, podendo ser confeccionado utilizando-se cano de PVC, madeira, ferro, alumínio e outros materiais.

Tela ou rede: a rede mantém os peixes em cativeiro durante o tempo de cultivo, podendo-se utilizar diversos tipos: rede de multifilamento com e sem nó (malha 1,5 cm); rede de multifilamento primolitada (malha 2,5 cm); tela de polietileno (malha 1,5 a 2,0 cm); tela níquel – moeda (malha 1,0 a 2,0 cm) e tela de alambrado (malha 2,0 cm), é a mais usada no momento.

Flutuadores: mantêm a gaiola na superfície da água, podendo ser utilizados os de tubo rígido de PVC (100 ou 150 mm), com tampão; de cano plástico de irrigação, rolhado; bombona plástica; tambor de ferro; isopor; bóia; bambu; tamboril; etc.

Âncora ou poita: é uma peça de ferro, um bloco de concreto ou uma simples pedra volumosa que, presa a um cabo, uma corrente ou uma corda de náilon, é lançada no fundo da água para segurar a gaiola em um determinado ponto da superfície.

Para fixação de um conjunto de gaiolas, é aconselhável utilizar uma estrutura formada por dois tambores de plástico (de 200l), cabo de náilon estendido entre ambos e duas âncoras, uma em cada extremidade.

Gaiola quadrada

As gaiolas podem ser quadradas, que são as preferidas; retangulares, também muito usadas; circulares e hexagonais. As dimensões mais utilizadas são as contidas no quadro a seguir:

Gaiola flutuante quadrada

Gaiolas flutuantes retangulares

Localização das gaiolas nos açudes

As gaiolas devem ser localizadas em açudes com água de boa qualidade (boa renovação da água) e que apresente profundidade mínima de 4 m, ao longo dos meses do ano. A localização deve ser em áreas protegidas de fortes ventos, ondas e correntezas e que não haja ocorrência acentuada de algas e plantas aquáticas, águas turvas e de águas poluídas.

Quantidade de gaiolas

As gaiolas a serem colocadas no açude devem ser em quantidade limitada, recomendando-se que a área ocupada pelas mesmas não ultrapasse 1% do espelho d’água do açude.

Distância entre gaiolas

A distância mínima entre as gaiolas é de 2 m, e a dimensão vertical mínima entre o leito do açude e a parte inferior da gaiola é de 1 m, e o espaço mínimo entre as fileiras de gaiolas é de 10 m.

Peixamento das gaiolas

A tilápia do Nilo, de preferência o macho é, atualmente, a espécie mais indicada; contudo, outros peixes, como o tambaqui e o pacu caranha, estão em fase de pesquisa.

A quantidade de tilápia do Nilo por m³ de gaiola flutuante pode chegar a 300. Portanto, uma gaiola medindo 2 m x 2 m x 2 m comporta 1.200 tilápias durante um ciclo de cultivo.

O peso inicial dos alevinos para a engorda em gaiolas deve ser de, no mínimo, 20 g.

Tempo de cultivo

A tilápia do Nilo atinge o peso de mercado em 4 meses de engorda. Na prática, o período de cultivo dessa espécie dura 3 a 4 meses, época em que alcança o peso médio de 650 gramas. Portanto, em uma gaiola (2m x 2m x 2m) podem-se produzir de 650 a 800 kg de tilápia, no período de 3 a 4 meses.

Alimentação dos peixes em gaiolas

Para se conseguir os resultados citados, os peixes necessitam alimentar-se com ração balanceada, contendo 32 a 42% de proteína bruta.

A quantidade diária de ração deve corresponder a 3% do peso dos peixes. Por exemplo: se há 100 kg de peixes na gaiola, fornece-se 3 kg de ração balanceada por dia.

A cada 30 dias, pesa-se parte dos peixes, visando ajustar a ração. Por exemplo: se o peso total aumentou de 100 para 200 kg, aumenta-se a quantidade diária da ração para 6 kg.

A quantidade diária de ração deve ser dividida em 2, 3 ou 4 refeições, sendo administrada pela manhã e à tarde.

A gaiola pode ou não ser provida de comedouro, ficando esse detalhe a critério do criador. No entanto, na ausência do mesmo deve-se ter cautela, na hora de alimentar os peixes, para não ocorrer desperdício. Atente-se, ainda, para a presença dos peixes invasores (piabas) que causam grandes prejuízos.

Hoje é mais prático para o produtor usar uma tabela alimentar elaborada por um especialista em nutrição de peixe.

Peixes faxineiros

Durante o período da engorda, aconselha-se o emprego de peixes faxineiros (curimatã e/ou piau), que, em função do hábito alimentar, realizam a limpeza da gaiola.

Deve-se utilizar a quantidade correspondente a 5% do total de peixes contidos na gaiola para engorda, ou seja, se a gaiola contém 1.000 peixes em engorda, utiliza-se 50 peixes faxineiros. Embora atualmente os produtores não estejam utilizando essa técnica.

Gaiola retangular de tela

Resumo da Lição
  • A dimensão dos viveiros são de acordo com a finalidade (desova, alevinagem ou engorda).
  • Os tipos de viveiro são de barragem e de escavação.
  • Os viveiros são reservatórios de água, feitos em terreno natural ou proveniente de escavação para criação e engorda de peixes.
  • Para povoar os viveiros devemos usar alevinos de tamanho homogêneo, medindo no mínimo 5 cm.
  • A alimentação dos peixes em gaiolas deve ser feita com ração balanceada e equivaler a 3% do peso dos peixes.
  • A desinfecção dos viveiros é feita com uso de cal.
  • O horário ideal para o uso do aerador é de 0h às 6h.
  • As gaiolas para peixes têm dimensões variadas e a sua localização nos açudes deve ser em locais com profundidade de 4 m e com água de boa qualidade.
  • Os peixes faxineiros realizam a limpeza da gaiola.

Desinfecção: ato ou efeito de eliminar os agentes causadores de infecção.

As gaiolas de tela, de grande tamanho, apresentam dificuldade na hora da amostragem e da despesca dos peixes. Por isso, as gaiolas menores têm sido as preferidas pelos produtores.

Para que servem os cachimbos de PVC?

O que são viveiros de escavação?

Como se faz a desinfecção dos viveiros?

Qual deve ser a quantidade de peixes por hectare?

O que é uma âncora na piscicultura?

Para que servem os flutuadores?

Quais as formas da gaiola para piscicultura?